IPOJUCA

MPPE recomenda que muro de contenção no Pontal dos Fragosos seja removido

Fotografia de praia com coqueiros e muro
Não deve ocorrer intervenção na área costeira que possa comprometer a integridade ambiental da região sem prévia autorização ambiental e respectivo licenciamento

 

24/01/2025 - Em defesa do meio ambiente e da sustentabilidade, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou aos proprietários da área denominada Pontal dos Fragosos, em Maracaípe, município de Ipojuca, que removam de imediato do muro de contenção existente, incluindo todos os materiais poluentes, como sacos de ráfia e arames farpados, dando destinação ambientalmente adequada dos resíduos, conforme orientação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).

Eles também devem se abster de construir outro muro de contenção ou obras similares no Pontal de Maracaípe, sem prévia e regular autorização ambiental que atenda a todos os requisitos legais e esteja devidamente fundamentada em estudo técnico-científico. Medidas de restauração ambiental na área afetada devem ser tomadas, especialmente no que tange à vegetação de restinga e à recomposição das condições naturais para a desova de tartarugas marinhas, sob supervisão de órgãos competentes. 

A Promotora de Justiça Clarissa Dantas Bastos ainda alertou que não deve ocorrer intervenção na área costeira que possa comprometer a integridade ambiental da região sem prévia autorização ambiental e respectivo licenciamento, conforme previsto na legislação federal e estadual aplicável.

Em 15 dias, os proprietários devem informar o MPPE sobre as providências adotadas, com documentação comprobatória das ações.

Segundo a Promotora de Justiça, um relatório elaborado pelo IBAMA identificou irregularidades graves na construção do muro, tais como: inexistência de estudo técnico-científico que comprove erosão costeira significativa; construção em desacordo com licenças ambientais expedidas; impactos à dinâmica costeira; e prejuízos à fauna e flora locais.

“Milhares de sacos de ráfia utilizados no muro já construído estão se deteriorando, gerando poluição ambiental significativa e impactando ecossistemas sensíveis, como as áreas de desova de tartarugas marinhas e a vegetação de restinga”, comentou ela na recomendação. Ela ainda lembra que a permanência ou a construção de novas estruturas viola legislações ambientais federais e estaduais, tais como a Lei nº 9.605/1998 e a Lei Estadual nº 14.258/2010, as quais proíbem intervenções em áreas costeiras sem a devida comprovação de necessidade e sem licenciamento ambiental apropriado.

“A instalação de muros em áreas costeiras deve ser medida de última instância, apenas justificável diante de estudo robusto que comprove risco iminente às populações locais ou a bens públicos de relevante interesse ambiental, não se verificando tal necessidade no caso em questão”, advertiu Clarissa Dantas Bastos.

A recomendação cita que a construção do muro causou obstrução do acesso público à praia e comprometeu a biodiversidade local, violando o disposto no art. 10 da Lei nº 7.661/1988, que assegura o livre acesso às praias. Também lembra que a 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Pernambuco reformou a decisão judicial que anteriormente autorizava a construção de muro de contenção no Pontal de Maracaípe, revogando a liminar e, consequentemente, proibindo qualquer obra dessa natureza na referida região.
 

Últimas Notícias


MEIO AMBIENTE
MPPE adere à RedeMAIS para compartilhamento de dados geoespaciais de defesa da biodiversidade
Imagem de ecossistemas vistos do alto
Promotores e Procuradores de Justiça poderão fornecer e consultar dados compartilhados pelos demais integrantes da rede, tendo acesso a plataformas e outros recursos tecnológicos

 

24/04/2026 - O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) passou a integrar a RedeMAIS, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), para compartilhamento de dados, inclusive imagens geoespaciais, em defesa do meio ambiente. O termo de adesão foi assinado este mês pelo Procurador-Geral de Justiça do MPPE, José Paulo Xavier, e o secretário-executivo substituto do MJSP, André de Albuquerque Garcia.

A cooperação tem vigência de cinco anos. A RedeMAIS faz parte do Programa Meio Ambiente Integrado e Seguro - Programa Brasil MAIS, que tem por finalidade a cooperação entre instituições, órgãos e entidades públicas da área de segurança pública nas esferas federal, estadual, distrital e municipal. O objetivo do trabalho conjunto é promover a multiplicação de conhecimento, a pesquisa, o treinamento e desenvolvimento de recursos humanos, como também a padronização de procedimentos, desenvolvimento e compartilhamento de tecnologias e informações que aprimorem a capacidade operacional das instituições.

“A expectativa é aprimorar a eficiência dos nossos procedimentos e operações no monitoramento das políticas públicas, investigação e denúncia de crimes ambientais”, afirma o Procurador-Geral de Justiça do MPPE, José Paulo Xavier. Promotores e Procuradores de Justiça que atuam na defesa de recursos hídricos, flora, fauna, contra a poluição e outros ataques à biodiversidade poderão fornecer e consultar dados compartilhados pelos demais integrantes da rede, tendo acesso a plataformas e outros recursos tecnológicos.

USO - Para viabilizar o uso pleno dessas ferramentas, os membros e servidores que optarem pela utilização da plataforma deverão passar por capacitações voltadas à metodologia da RedeBrasil MAIS. O treinamento deverá ter foco na operacionalização dos sistemas de monitoramento e na correta extração de relatórios e metadados, garantindo que os usuários habilitados produzam evidências digitais com a devida validade jurídica e conformidade técnica para instruir os procedimentos judiciais.

Ao integrar a rede, os participantes assumem o compromisso também de não distribuir a terceiros imagens e chaves de acesso aos bancos de dados incluídos na cooperação.

Para a coordenadora do Centro de Apoio Operacional em Defesa do Meio Ambiente do MPPE, promotora de Justiça Belize Câmara, o trabalho em rede representa um avanço estratégico na tutela do patrimônio natural pernambucano, uma vez que a tecnologia de monitoramento remoto permite uma atuação mais célere e assertiva. "Com a capacidade de identificar ilícitos ambientais em estágios iniciais e em locais de difícil acesso, a instituição fortalece seu papel fiscalizador, convertendo o fluxo de dados geoespaciais em subsídios técnicos robustos para a responsabilização civil e criminal, garantindo, assim, uma proteção mais efetiva aos ecossistemas do estado", explica.

DIREITO
MPPE capacita estudantes da UPE-Arcoverde para atuação na Central de Inquéritos de Paulista
Fotografia dos participantes da reunião em sala posando juntos
A atividade marca a primeira experiência da ESMP/MPPE voltada à preparação de alunos extensionistas para atuação direta em uma unidade ministerial

 

24/04/2026 - A formação prática de futuros profissionais do Direito ganha um novo impulso com a realização de um treinamento promovido pela Escola Superior do Ministério Público (ESMP). Na quinta-feira (23), dez estudantes do curso de Direito, do campus da Universidade de Pernambuco (UPE), em Arcoverde, foram capacitados para atuar na Central de Inquéritos de Paulista.

A atividade marca a primeira experiência da ESMP/MPPE voltada à preparação de alunos extensionistas para atuação direta em uma unidade ministerial. Selecionados pela UPE-Arcoverde com base no desempenho acadêmico, que levou em consideração o ranking das maiores notas da turma, os estudantes irão colaborar durante um ano com as atividades da Central de Inquéritos, por meio de ações de extensão previstas no acordo de cooperação técnica firmado entre as duas instituições. As atividades ocorrerão de forma remota, com carga horária de seis horas semanais.

"Essa é uma iniciativa que conecta de forma concreta o ensino jurídico à prática institucional, proporcionando aos estudantes uma experiência formativa rica e alinhada à realidade do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), explicou a Diretora da ESMP, promotora de Justiça Carolina Moura Cordeiro Pontes. "Trata-se de um processo de aprendizado mútuo, que qualifica os estudantes e, ao mesmo tempo, auxilia no aprimoramento dos serviços prestados", completou.

De acordo com a coordenadora da Central de Inquéritos de Paulista, promotora de Justiça Julieta Maria Batista Pereira de Oliveira, ao vivenciarem o funcionamento do MPPE, especialmente no âmbito da Central de Inquéritos, "os alunos extensionistas terão a possibilidade de ampliar o seu entendimento sobre a dinâmica das atividades ministeriais, desenvolver habilidades essenciais à atuação profissional e contribuir, de maneira significativa, para o fortalecimento das rotinas institucionais".

Capacitação de estudantes para Central de Inquéritos

O treinamento inicial teve a duração de três horas e foi realizado na própria Central de Inquéritos de Paulista, com a participação dos promotores de Justiça ligados à Central de Inquérito, Julieta Maria Pereira de Oliveira, Camila Mendes de Santana Coutinho e Marcus Brener Gualberto de Aragão. A programação incluiu uma apresentação detalhada sobre o funcionamento do órgão e as áreas nas quais os estudantes irão atuar, permitindo uma imersão prática no cotidiano do MPPE. "A iniciativa busca qualificar os futuros operadores do Direito, fortalecendo o trabalho institucional com a troca de experiências entre a academia e o Ministério Público", destacou a  promotora de Justiça Camila Mendes de Santana Coutinho.

OLINDA
MPPE recomenda requalificação da infraestrutura do serviço para pessoas em situação de rua
Fotografia da placa do muro do Centro Pop de Olinda
MPPE objetiva que o Centro Pop funcione adequadamente no cotidiano, destacando os recentes episódios de chuvas em Olinda

 

24/04/2026 - Após inspeção pela equipe do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a 7ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda recomendou à Prefeitura de Olinda e à Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos de Olinda que efetivem, no prazo de 60 dias, as providências urgentes e necessárias para que o Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP) passe por requalificação no espaço físico, seja equipado de recursos materiais e receba os recursos humanos necessários com equipe profissional qualificada, para que cumpra a finalidade da lei e atenda adequadamente a demanda da população em situação de rua.

O MPPE objetiva que o Centro Pop funcione adequadamente no cotidiano, destacando os recentes episódios de chuvas em Olinda, que colocam essa população em situação de rua em mais vulnerabilidade.

A inspeção do MPPE, realizada pela Equipe Interprofissional da 7ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda, verificou a não adequação à Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Sistema Único de Assistência Social – NOB-RH /SUAS (Resolução CNAS nº 269, de 13 de dezembro de 2006) no que se refere ao recurso humano para compor a equipe profissional, bem como foram constatadas a insalubridade dos banheiros, desativação da cozinha e da copa, ausência de prontuários individuais, não elaboração dos Planos de Acompanhamento Individuais, escasso acesso à água, equipe insuficiente, baixa oferta de atividades, insegurança física e sanitária, ausência de Plano Técnico Operativo e documento final do Censo da População em Situação de Rua.

A medida do MPPE faz parte do Procedimento Administrativo de Acompanhamento de Políticas Públicas nº 01911.000.044/2023, instaurado pela 7ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda. Mais detalhes e informações, a recomendação da promotora de Justiça Maria Célia Meireles da Fonseca foi publicada no Diário Oficial do MPPE de 22 de abril de 2026.

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