PARQUE DA JAQUEIRA

MPPE recomenda a manutenção da pista de bicicross existente há 40 anos no local

Fotografia da pista de bicicross do Parque da Jaqueira
A recomendação baseia-se no descumprimento do contrato de concessão assinado pelas partes e na afronta à legislação de proteção ambiental e cultural do Parque

 

13/11/2025 - O Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE), através da 20ª Promotoria de Justiça de Defesa de Cidadania da Capital (Habitação e Urbanismo) e do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (CAO Meio Ambiente), expediu recomendação para a Prefeitura do Recife e a Concessionária Viva Parques Recife ZN S.A sobre as intervenções no Parque da Jaqueira, objeto do contrato de concessão de parques do Recife.

Em resumo, o documento recomenda: a manutenção do embargo do Iphan até a obtenção de eventual autorização dos órgãos de preservação; o cumprimento do contrato de concessão em relação à manutenção da pista de bicicross; e a apresentação de cronograma de implementação de gestão democrática e participação popular para o controle da concessão dos parques.

A recomendação baseia-se no descumprimento do contrato de concessão assinado pelas partes e na afronta à legislação de proteção ambiental e cultural do Parque. No contrato de concessão, os investimentos no Parque da Jaqueira preveem para a pista de bicicross apenas a possibilidade de "manutenção", sem admitir "demolição" ou "substituição" do equipamento. A definição de "manutenção" no contrato refere-se a intervenções que não alterem as características da infraestrutura, limitando-se a atualizações de sistemas, revestimentos ou correções leves.

O MPPE ressalta que as anunciadas demolição e substituição da pista configuram descumprimento frontal do encargo contratual ajustado previamente, o que revela “perigoso precedente”, bem como compromete a segurança jurídica do Contrato de Concessão e é passível da aplicação de multa, nos termos do próprio contrato.

A recomendação ainda lembra que Parque da Jaqueira é classificado como Unidade de Conservação da Paisagem (UCP) pela Lei Municipal nº 17.610/2010. Essa lei proíbe expressamente na UCP "qualquer intervenção que comprometa o patrimônio ambiental e cultural hoje existente no seu perímetro", enumerando de forma exemplificativa "as áreas de lazer coletivo". A pista de bicicross existe há 40 anos (desde 1985), sendo um equipamento esportivo e parte integrante da identidade, paisagem e patrimônio cultural e material do parque e da cidade, além de abrigar projetos sociais.

Ademais, o Parque está inteiramente inserido no perímetro de entorno de dois bens tombados pelo Iphan (Capela Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira e Academia Pernambucana de Letras). Intervenções no entorno de bens tombados exigem autorização prévia do Iphan. A ausência de tal licença levou ao embargo das obras pela autarquia federal, o que, pelo contrato de concessão, configura, em tese, prática de infração por parte da concessionária.

O Ministério Público também destaca a falta de participação popular na implementação e fiscalização das políticas urbanas e ambientais no âmbito da concessão dos parques, conforme preconizam o Estatuto da Cidade e o Plano Diretor do Recife. Os instrumentos de participação aplicados até o momento foram considerados insuficientes, sendo a consulta pública de 2022 destinada majoritariamente a potenciais licitantes, não possuindo um caráter "amplo e popular", segundo a recomendação.

A recomendação estabelece o prazo de dez dias para que tanto a Prefeitura quanto a Concessionária cientifiquem o MPPE sobre o acatamento ou não da medida. 

A íntegra da recomendação, assinada pelas promotoras de Justiça Fernanda Henriques da Nóbrega (titular da 20ª Promotoria de Justiça de Defesa de Cidadania da Capital – Habitação e Urbanismo) e Belize Câmara (CAO Meio Ambiente), está disponível no Diário Oficial de 13 de novembro de 2025.

Últimas Notícias


ARCOVERDE
Escola Superior do MPPE e UPE promovem aula magna na abertura de MBA em Políticas Públicas e Direitos Humanos
A pós-graduação prioriza a interdisciplinaridade e metodologias ativas, com análise de casos reais e a articulação entre teoria e prática.


12/05/2026 - Candidatos selecionados para a primeira turma do MBA em Políticas Públicas e Direitos Humanos, oferecido em Arcoverde (Sertão), numa parceria da Universidade de Pernambuco (UPE) e da Escola Superior (ESMP) do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), assistiram na última sexta-feira (8) à aula magna de abertura do curso. A pós-graduação lato sensu ainda dispõe de vagas a serem preenchidas até o próximo dia 22, quando a programação de atividades presenciais e remotas tem início.

“Este curso é fruto de uma parceria histórica entre o MPPE e a UPE, unindo a excelência acadêmica com a nossa prática, com um corpo docente qualificado das duas instituições. Pela primeira vez, lançamos uma pós-graduação com os olhos voltados para o interior do estado. Criamos um currículo que respeita as vozes e as realidades locais, pois acreditamos que o estudo das políticas públicas tem o poder real de transformar vidas em cada região”, afirmou o Procurador-Geral de Justiça, José Paulo Xavier, em mensagem de vídeo gravada, exibida na abertura da aula.

A expectativa com essa formação, segundo o chefe do MPPE, é garantir uma atuação em favor da justiça social e da dignidade dos pernambucanos. “Juntos, vamos analisar casos concretos e estratégias para que o Estado funcione de forma mais justa. Afinal, políticas públicas bem estruturadas são as melhores ferramentas para combater desigualdades”, enfatizou.

A aula magna “Políticas públicas: responsabilidade de todos” foi ministrada pela diretora da ESMP, Promotora de Justiça Carolina de Moura. Depois de uma breve apresentação dos acordos pedagógicos, ela expôs o arcabouço jurídico que protege os direitos humanos e os objetivos a serem cumpridos pelas políticas públicas para que essas garantias se estabeleçam na vida em sociedade. Foram mencionadas iniciativas do MPPE na defesa de crianças, população idosa, meio ambiente, entre outros projetos. Também participaram da aula as professoras Clarissa Marques, da ESMP, e Denise Luz, da Universidade de Pernambuco.

A pós-graduação prioriza a interdisciplinaridade e metodologias ativas, com análise de casos reais e a articulação entre teoria e prática. As aulas presenciais serão no campus da UPE em Arcoverde. Os interessados no curso  devem entrar em contato pelo telefone (87) 99185-0907, pelo perfil @mbappdhupe ou pelo e-mail mba.ppdh@upe.br
 

Aula magna do MBA da ESMP e UPE de Políticas Públicas e DH

ENCONTRO NACIONAL
Corregedores do Ministério Público de todo o Brasil discutem atuação ministerial na proteção às mulheres e crimes em operações policiais
A Corregedora do MPPE, Procuradora de Justiça Maria Ivana Botelho, representou o MPPE no encontro, que foi realizado na sede do Ministério Público de São Paulo.


12/05/2026 - A Corregedoria-Geral do Ministério Público de Pernambuco (CGMP/MPPE) compareceu, na última quinta e sexta-feiras (7 e 8 de maio) à 151ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional dos Corregedores-Gerais dos Ministérios Públicos dos Estados e da União.

A Corregedora do MPPE, Procuradora de Justiça Maria Ivana Botelho, e o Corregedor-Auxiliar, Promotor de Justiça Petrúcio de Aquino, representaram a instituição no encontro, que foi realizado na sede do Ministério Público de São Paulo.

“A Comissão de Proteção Integral de Meninas, Mulheres e Pessoas Vulnerabilizadas por Identidade ou Expressão de Gênero apresentou minuta de roteiro de atuação correcional temática e do plano de atuação do Colegiado, os quais serão analisados pelos integrantes, para discussão e votação na próxima reunião. Além disso, também foram apresentados estudos sobre o machismo e a misoginia, além de experiências exitosas em alguns ramos do MP Nacional, com a apresentação do aplicativo SentinELAS, desenvolvido pelo Ministério Público Militar”, salientou Maria Ivana Botelho, que integra a referida comissão.

O evento contou ainda com uma palestra de Ivana Cei, Conselheira do CNMP, sobre as atualizações referentes à implementação da Resolução CNMP 310/2025, que trata da atuação ministerial nos crimes ocorridos durante operações policiais.

Por fim, o corregedor do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Fernando Comin, anunciou que o ciclo de correições conjuntas entre o CNMP e as Corregedorias das unidades terá início, na forma de um projeto piloto, por Santa Catarina.

FESTEJOS JUNINOS E OUTROS EVENTOS 2026
MPPE recomenda controle em gastos da Empetur nas contratações
Entre as medidas, o MPPE orienta que a Empetur utilize, como parâmetro de preços, a média dos contratos firmados pelos artistas em Pernambuco entre maio e julho de 2025.


12/05/2026 - O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou que a Empresa de Turismo de Pernambuco Governador Eduardo Campos (Empetur) adote critérios mais rígidos de economicidade e transparência nas contratações artísticas para os festejos juninos e demais eventos festivos ao longo de 2026.

A recomendação foi expedida pela Promotora de Justiça Ana Maria Sampaio Barros de Carvalho, da 4ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania - Promoção e Defesa do Patrimônio Público de Olinda, diante de sucessivas contratações de artistas com valores considerados elevados e custeados com recursos públicos.

Entre as medidas, o MPPE orienta que a Empetur utilize, como parâmetro de preços, a média dos contratos firmados pelos artistas em Pernambuco entre maio e julho de 2025, com atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Caso não existam dados suficientes, a pesquisa deverá considerar contratos públicos registrados em bases oficiais, como o Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) e os Portais da Transparência.

A recomendação também estabelece atenção especial para contratos acima de R$ 600 mil, classificados pelo órgão ministerial como de "alta materialidade". Nesses casos, o MPPE pede que sejam feitas justificativas detalhadas sobre a compatibilidade dos valores com o mercado e a real necessidade da despesa.

Outro ponto destacado é a limitação dos gastos globais com festividades em 2026 ao mesmo valor liquidado em 2025, sendo permitido apenas o reajuste inflacionário pelo IPCA. De acordo com o MPPE, a medida busca fortalecer a responsabilidade fiscal, a moralidade administrativa e a proteção do erário, sem impedir a realização de políticas públicas voltadas à cultura e ao turismo.

A Empetur terá prazo de 10 dias úteis para informar se irá acatar as recomendações e apresentar documentos e cronogramas que comprovem a adequação das medidas preventivas. A íntegra do documento foi publicada na edição de 8 de maio de 2026, do Diário Oficial Eletrônico do MPPE.

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