CNMP aprova mudanças no arquivamento das investigações criminais, ANPPs e propõe diretrizes na educação
CNMP aprova mudanças no arquivamento das investigações criminais, ANPPs e propõe diretrizes na educação
21/03/2024 - O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aprovou, na última terça-feira (19/03), proposta de mudanças na Resolução 181/2017 sobre instauração e tramitação de procedimento investigatório criminal a cargo do MP. A nova redação, que ainda passará por revisão antes de ser homologada, estabelece que “a colheita de informações, oitivas e depoimentos será realizada, preferencialmente, por videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real”, informa o Conselho.
O texto estabelece também, segundo o CNMP, “que o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) é negócio jurídico celebrado entre Ministério Público e investigado devidamente assistido por advogado ou defensor público, uma vez preenchidos os requisitos e pressupostos legais, que poderá ser proposto mediante avaliação das peculiaridades do caso concreto, desde que necessário e suficiente para a reprovação e prevenção da infração penal.” Ainda, conforme divulgou o CNMP, “o oferecimento da proposta de acordo, bem como sua negociação, é ato privativo do Ministério Público, devendo ser realizado em suas dependências, seja na modalidade presencial ou na virtual, cabendo ao juízo tão somente a sua homologação em audiência que prescinde da participação do membro ministerial.”
As mudanças na resolução foram aprovadas por unanimidade durante a 4ª Sessão Ordinária de 2024, em Brasília, considerando as novidades trazidas pela Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime) quanto ao ANPP e à nova sistemática de arquivamento das investigações criminais. Também observa decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) nos julgamentos das ADIs nº 6.298, 6.299, 6.300 e 6.305.
“A decisão é importante para fixar um balizamento nacional”, avaliou o Procurador-Geral de Justiça de Pernambuco, Marcos Carvalho, que acompanhou a reunião do Conselho em Brasília.
Apresentada pelo conselheiro Rinaldo Reis, a proposição foi relatada pelo conselheiro Jaime de Cassio Miranda, que também exerce o cargo de presidente da Comissão do Sistema Prisional, Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (CSP) do CNMP. O plenário aprovou o texto com base em substitutivo apresentado por Jaime de Cassio.
A nova redação da Resolução 181/2017 diz também que “a celebração do Acordo de Não Persecução Penal não afasta a eventual responsabilidade administrativa ou cível pelo mesmo ato”. Negociações que envolverem ilícitos puníveis na esfera cível e criminal serão estabelecidas preferencialmente de forma conjunta pelos órgãos do Ministério Público com atribuições nas respectivas áreas de atuação, completa. De acordo com a proposta, as unidades do Ministério Público manterão sistema próprio com dados dos acordos de não persecução penal celebrados. As informações armazenadas servirão para eventual prestação de contas, respeitando-se aquelas sob sigilo legal.
EDUCAÇÃO - Uma recomendação que estabelece diretrizes para a estruturação de unidades do Ministério Público na defesa do direito à educação também foi proposta durante a 4ª Sessão Ordinária de 2024 do Conselho Nacional do Ministério Público. O autor é o presidente da Comissão da Infância, Juventude e Educação (Cije) do CNMP, Rogério Varela. Viabilizar Promotorias de Justiça com atribuição exclusiva em defesa do direito à educação é uma das propostas, assim como criar Centros de Apoio Operacional (CAO) ou equivalentes na área da educação, ter equipes multidisciplinares exclusivas em apoio aos membros do MP que atuam na área e promover cursos de qualificação.
Segundo o Procurador-Geral de Justiça de Pernambuco, Marcos Carvalho, é importante que o MP brasileiro avance na defesa do direito à educação, um dos caminhos para correção da desigualdade social no país.
O Ministério Público de Pernambuco conta com o Centro de Apoio Operacional de Defesa da Educação desde 2017, além de Promotorias voltadas especificamente a esse direito. Diversas atuações defendem o acesso à creche, ações inclusivas de crianças e adolescentes com deficiência na rede pública de ensino, além da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Últimas Notícias
Ministério Público mobiliza Serra Talhada com vacinação, palestras e apresentação de projetos de proteção social
15/05/2026 - O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) realizou, no início desta semana (dias 12 e 13 de maio), em Serra Talhada, mais uma edição do projeto Rota MPPE, com uma ampla agenda de ações voltadas à saúde pública, cidadania, direitos sociais e fiscalização de políticas públicas. A iniciativa, que já passou por Caruaru e Garanhuns, chegou à 14ª Circunscrição Ministerial com programação descentralizada em diferentes áreas estratégicas.
A abertura da programação ocorreu na manhã da terça-feira (12), com o 2º Encontro Regional #BoraVacinar – III Macrorregião, nas dependências do Senac de Serra Talhada, no bairro do Bom Jesus. A atividade, promovida pelo Centro de Apoio Operacional de Defesa da Saúde (CAO Saúde), em parceria com os CAO Infância e Juventude (CAO IJ), CAO Educação e a Secretaria Estadual de Saúde (SES/PE), reuniu gestores e profissionais da área de saúde para discutir estratégias de ampliação da cobertura vacinal de crianças e adolescentes.

O encontro contou com apresentação cultural do Grupo de Xaxado Zabelê, debates técnicos sobre o cenário vacinal da região, exposição do Selo #BoraVacinar, a participação dos personagens Zé Gotinha e Maria Gotinha, ações práticas de mobilização e ponto de vacinação. Mais de 500 estudantes de 12 escolas municipais puderam atualizar as suas cadernetas de vacina.
Presente à abertura das atividades do Rota MPPE em Serra Talhada, o Procurador-Geral de Justiça (PGJ), José Paulo Xavier, destacou que o Ministério Público não atua apenas como órgão fiscalizador. "Nossa missão também é induzir políticas públicas, construir soluções, incentivar e promover projetos que transformem a vida da população, especialmente dos públicos mais vulneráveis". Ele ressaltou que crianças e adolescentes, mulheres vítimas de violência, idosos e pessoas que necessitam de acesso a serviços essenciais estão no centro das atenções da Instituição. "O MPPE tem buscado ir além da fiscalização e da cobrança institucional, aproximando prefeituras, Governo do Estado e sociedade civil para executar iniciativas concretas, capazes de garantir direitos, fortalecer a cidadania e ampliar a proteção social em Pernambuco", concluiu.
ATIVIDADES - Na terça-feira, à tarde, e na manhã da quarta-feira (13), o Núcleo da Pessoa Idosa (NUPI) promoveu dois debates: sobre o "Enfrentamento à violência contra a pessoa idosa na rede de assistência social e o fluxo de atuação com o MPPE", no auditório da OAB-Serra Talhada; e "Pessoa Idosa, Conselhos de Direitos e Políticas Públicas: Interlocuções com o Ministério Público", no auditório da Uninassau. Os encontros visaram reunir e fortalecer a rede socioassistencial. "O diálogo com a pessoa idosa sobre o enfrentamento à violência, o fortalecimento da rede de assistência e a construção de políticas públicas são essenciais para garantir dignidade, proteção e cidadania. Ao promover essa interlocução com os Conselhos de Direitos e a rede de proteção social, estamos fortalecendo a defesa dos direitos da terceira idade e ampliando os caminhos de acolhimento, respeito e inclusão social", explicou a Coordenadora do NUPI, Promotora de Justiça Irene Cardoso Sousa.

Na manhã da quarta-feira, no auditório da Unidade Acadêmica de Serra Talhada, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UAST/UFRPE), foi apresentado o projeto estratégico "Promotoria de Justiça de Portas Abertas às Vítimas", coordenado pelo Núcleo de Apoio às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (NAV). A iniciativa visa integrar o Sistema de Justiça às redes de atenção socioassistencial e psicossocial e garantir assistência integral, humanizada e eficaz a quem sofre as consequências de violências graves. O foco prioritário são as vítimas de crimes contra a vida e os feminicídios. O encontro contou com a participação de representantes da Secretaria da Mulher de Pernambuco, no Sertão do Pajeú; e das Secretarias, Coordenadorias e Diretorias da Mulher dos municípios da região.
GEMAT - Paralelamente à programação institucional, equipes da Gerência Executiva Ministerial de Apoio Técnico (GEMAT) realizaram inspeções técnicas às Unidade de Acolhimento Municipal para Crianças e Adolescentes, em Petrolândia; Lar Dom Hélder Câmara, localizada no Centro de Custódia; e Unidade de Acolhimento a Crianças e Adolescentes (CAACA), no Perímetro irrigado Cachoeira II/DNOCS, em Serra Talhada. As atividades tiveram o objetivo avaliar a qualidade dos serviços ofertados aos acolhidos, observando aspectos relacionados à garantia de direitos, estrutura física das unidades, composição e atuação das equipes técnicas, elaboração dos Planos Individuais de Atendimento (PIAs), articulação com a rede de proteção e condições de cuidado e convivência institucional.
O acolhimento institucional é uma medida protetiva prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), aplicada em situações de violação de direitos, negligência, abandono ou violência. Por esse motivo, o acompanhamento contínuo das unidades pelo MPPE é fundamental para assegurar que o serviço seja executado de forma humanizada, técnica e alinhada às normativas nacionais de proteção integral à infância e adolescência. As inspeções também possibilitam identificar necessidades estruturais e técnicas dos serviços, contribuindo para o fortalecimento das políticas públicas e para a promoção de um atendimento mais digno e adequado aos jovens acolhidos.

Já na sede da Promotoria de Justiça de Serra Talhada, em encontros distintos, os Promotores de Justiça puderam conhecer os objetivos e atividades do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente (NUPEMA), que marcou o início da sua atuação regional na área ambiental; do Núcleo de Apoio às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (NAV), e do Núcleo de Soluções Fundiárias (NUSF), órgão que tem a missão estratégica de buscar saídas consensuais para as disputas coletivas de terra. Os coordenadores puderam explicar como os Núcleos poderão orientar e dar suporte aos Promotores de Justiça nessas áreas específicas.
Procurador-Geral do MPPE alerta para o perigo do mau uso de IA e abuso de poder algorítmico durante campanha nas eleições 2026
15/05/2026 - “A higidez do pleito que se avizinha exige de nós uma vigilância que ultrapassa as fronteiras físicas das seções eleitorais. Estamos diante de um cenário onde a Inteligência Artificial (IA), as deepfakes e o abuso de poder algorítmico deixaram de ser distopias para se tornarem variáveis reais e perigosas do processo político”, alertou na manhã desta quinta-feira (14) o Procurador-Geral de Justiça de Pernambuco, José Paulo Xavier. Ele fez a observação ao discursar na abertura do I Congresso do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) e do III Congresso Integrado de Direito Eleitoral, que se realizam até esta sexta-feira (15), no Recife Expo Center, no centro da capital.
Por meio de IA é possível criar as deepfakes, permitindo, por exemplo, que imagens faciais e vozes sejam adulteradas em vídeos. O chefe do Ministério Público Estadual (MPPE) destacou a responsabilidade que recai sobre os membros da instituição durante o período eleitoral. “O Promotor de Justiça é a primeira linha de defesa contra o ilícito, auxiliando a Procuradoria Regional Eleitoral (do Ministério Público Federal) na defesa da ordem democrática e jurídica, sendo o defensor da vontade popular, protegendo o voto livre”, lembrou.
O Procurador-Geral de Justiça enfatizou ainda: “O MP entende que a tecnologia deve ser um vetor de transparência e nunca um biombo para a fraude ou para o abuso de poder econômico e político. Pernambuco tem tradição em vanguarda jurídica. Que esse congresso seja o marco onde consolidaremos as estratégias para que, em 2026, a era digital seja lembrada como a era do fortalecimento da integridade eleitoral, e não da sua fragilização”.
PARTICIPAÇÃO - José Paulo Xavier destacou a importância dos dois congressos, para atualizar juristas, promotores, advogados, defensores públicos e políticos. “Nesta jornada de dois dias, estarão sendo debatidos temas complexos como a validade probatória de evidências digitais, os limites da liberdade de expressão frente à desinformação e a transparência nas contas eleitorais sob as novas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”, afirmou. O MPPE está representado nos eventos por 60 Promotores de Justiça, com o coordenador do Núcleo de Apoio às Atividades Eleitorais da instituição, PJ André Ângelo de Almeida, apresentando o painel “Provas digitais no direito eleitoral: obtenção lícita e preservação para validade probatória”.
PGJ e Promotores de Justiça do MPPE colaboram na definição de diretrizes nacionais em defesa de direitos humanos
15/05/2026 - O Procurador-Geral de Justiça de Pernambuco, José Paulo Xavier, e outros membros do Ministério Público Estadual (MPPE) participaram de reuniões, esta semana, em Brasília, no Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do MP (CNPG), que definiram intensificação de ações em favor da população para acesso à saúde, educação, proteção da infância e de populações vulneráveis, como também de enfrentamento da violência de gênero.
Na quarta-feira (13), o PGJ integrou sessão ordinária do CNPG que aprovou, por unanimidade, 26 enunciados resultantes da 2ª Reunião Executiva dos Grupos Nacionais do colegiado que se dedicam aos direitos humanos, evento do qual participaram os Promotores de Justiça de Pernambuco Dalva Cabral, Fabiano Melo, Maxwell Vignoli e Westei Conde.
A coordenadora do Eixo GNDH, a Procuradora-Geral de Justiça do Amazonas, Leda Mara Albuquerque, considerou a aprovação unânime uma “demonstração do alinhamento institucional do Ministério Público brasileiro e “da necessidade de atuação cada vez mais especializada e resolutiva nas áreas sociais”.
“A construção coletiva dessas diretrizes fortalece a atuação nacional do MP e deve assegurar uma proteção mais efetiva aos cidadãos”, avalia José Paulo Xavier, que também é o presidente do CNPG para a Região Nordeste.
Dentre as orientações aprovadas, estão “intensificar a fiscalização de comunidades terapêuticas, assegurar a proteção da população em situação de rua, ampliar a tutela de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais e fortalecer a mediação de conflitos fundiários urbanos e rurais. Também foi aprovado o reconhecimento do Formulário Rogéria como instrumento indispensável para análise de risco de LGBTfobia e proteção das vítimas”. O acompanhamento permanente das instituições de acolhimento de idosos e pessoas com deficiência, das políticas públicas voltadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e do Plano Nacional de Educação estão incluídos na lista.
Foi reafirmado o direito de participação de crianças e adolescentes em processos decisórios que lhes digam respeito e o atendimento prioritário e acessível pelo MP, com linguagem adequada e escuta qualificada. Quanto ao enfrentamento da violência de gênero, as medidas incluem fortalecimento da proteção às mulheres, prevenção da revitimização, monitoramento eletrônico de agressores, enfrentamento à litigância abusiva de gênero e fortalecimento das redes intersetoriais de proteção, entre outras providências.
* Com informações do CNPG.
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