Após morte de criança atendida diversas vezes na mesma policlínica, MPPE cobra adoção de protocolo de classificação de risco e acompanhamento
Após morte de criança atendida diversas vezes na mesma policlínica, MPPE cobra adoção de protocolo de classificação de risco e acompanhamento
22/10/2026 - A morte de uma criança depois de sucessivos atendimentos na Policlínica Doutor Beiró Uchôa, em Moreno, motivou o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) a recomendar à Secretaria Municipal uma série de providências para garantir um fluxo de atendimento prioritário, com medidas de avaliação de risco mais ágeis.
O objetivo é assegurar que toda a rede de saúde municipal esteja preparada para identificar os sinais de gravidade e dar o encaminhamento correto para cada situação. Essa medida busca evitar o risco de evolução do quadro e a necessidade de vários retornos de pacientes às unidades de saúde.
"Trata-se de um evento grave que precisa ser investigado e, também, servir para a identificação de oportunidades de prevenção e melhoria da rede de saúde pública. Ao recomendar esse fluxo, o MPPE busca a organização do atendimento para responder em casos de sintomas persistentes, alterações de sinais vitais, retornos sucessivos, dificuldade de comunicação e condições clínicas que possam aumentar a vulnerabilidade, em especial no caso de crianças", detalhou o Promotor de Justiça Jefson Romaniuc.
Confira as principais providências recomendadas:
1 - Elaborar e aprovar o protocolo e fluxo de acolhimento, classificação de risco e atendimento prioritário com participação de médicos e enfermeiros;
2 - Estabelecer os critérios de classificação, categorias de risco, tempos de atendimento e critérios para acionamento das equipes;
3 - Reavaliar periodicamente os pacientes em espera ou observação, especialmente no caso de piora ou novos sintomas;
4 - Organizar o fluxo de realização de exames e comunicação dos resultados críticos;
5 - Definir critérios técnicos para manter paciente em observação, dar encaminhamento a outra unidade de saúde ou enviar para casa;
6 - Manter registros de todas as decisões tomadas com relação aos pacientes, incluindo nomes profissionais, horários e tipos de procedimentos aplicados;
7 - Diagnosticar as condições de aplicação do protocolo na rede municipal de saúde, identificando os gargalos na disponibilidade de equipes, infraestrutura , equipamentos, materiais, medicamentos, exames ou transporte;
8 - Capacitar os profissionais de saúde para seguirem o protocolo e divulgarem aos pacientes informações claras sobre a classificação de risco e eventuais casos de piora clínica.
Na recomendação, a 1ª Promotoria de Justiça de Moreno fixa os prazos de 15 dias para a apresentação do protocolo, 30 dias para sua implantação e 90 dias para monitoramento dos resultados iniciais.
RESPONSABILIZAÇÃO - O MPPE também recomendou que o município de Moreno adote as medidas necessárias para investigar a morte da criança, que deu entrada na Policlínica Doutor Beiró Uchôa nos dias 8, 9 e 10 de novembro de 2023. Ela faleceu no último dia, tendo como causa da morte infecção generalizada.
Com relação a esse caso, o Ministério Público recomendou que a Secretaria de Saúde promova a identificação dos profissionais que atuaram na unidade, bem como apresente informações sobre possível processo administrativo implementado para apurar o ocorrido.
Todas as conclusões da investigação a ser conduzida pela Prefeitura de Moreno devem ser compartilhadas com o MPPE, junto com o detalhamento das providências adotadas pelos gestores municipais.
Últimas Notícias
Promoção dos direitos humanos mobiliza integrantes do Ministério Público brasileiro
22/10/2026 - Nos últimos três dias, promotores e procuradores de Justiça de 30 unidades de Ministério Público no Brasil, dentre eles, oito representantes do MP de Pernambuco, reuniram-se em Brasília (DF), para propor estratégias de atuação integrada na promoção dos direitos humanos em temas fundamentais, como educação, saúde e moradia, e de grupos historicamente vulnerabilizados, a exemplo de mulheres, crianças e adolescentes, idosos, sem-teto, povos indígenas, quilombolas e de outras comunidades tradicionais, portadores de transtornos mentais, pessoas com deficiência e em situação de rua. Na segunda (19) e terça-feira (20), os debates se deram durante a 4ª Reunião do Eixo dos Grupos Nacionais de Direitos Humanos (GNDH), do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG). Na quarta-feira (21), a discussão continuou na nona reunião ordinária do colegiado.
Novas diretrizes para fortalecer a promoção e a defesa dos direitos humanos no país foram definidas em quatro notas técnicas e 17 enunciados, debatidos por 200 promotores e procuradores de Justiça dos estados e da União. “Foi um momento importante de troca de experiências e construção coletiva nos sete grupos de Direitos Humanos do CNPG em temas que estão na rotina da atuação de Promotores e Procuradores de Justiça. O MPPE participou dos trabalhos em todos os Grupos Nacionais”, afirmou o Procurador-Geral de Justiça de Pernambuco, José Paulo Xavier, que também é vice-presidente do CNPG para o Nordeste.
A comitiva pernambucana foi formada pelas promotoras de Justiça Aline Arroxelas, coordenadora do Centro de Apoio Operacional em Defesa da Infância e Juventude, Helena Capela, coordenadora do Centro de Apoio Operacional em Defesa da Saúde, Irene Cardoso, coordenadora do Núcleo de Apoio à Pessoa Idosa, e Maísa Oliveira, do Núcleo de Apoio à Mulher. Também integraram a equipe os promotores de Justiça Fabiano Pessoa, coordenador do Centro de Apoio Operacional em Defesa da Cidadania; Maxwell Vignoli, coordenador do Centro de Apoio Operacional em Defesa da Educação; e Westei Conde, coordenador do Núcleo Josué de Castro do Direito Humano à Alimentação e Nutrição Adequadas.
“No campo da defesa dos direitos humanos, foram realizadas interações com o Ministério do Desenvolvimento Social, que apresentou aos grupos dados e informações sobre os programas de proteção social do Sistema de Assistência Social (SUAS). Reforçou-se a necessidade de uma atuação integrada do MP na defesa dos direitos humanos, por meio de ações e estratégias nacionais, integradas, de atuações voltadas especialmente para os mais vulnerabilizados e com vistas ao acompanhamento de políticas públicas, orçamentos e ações concretas de proteção social”, completou o coordenador do CAO Cidadania do MPPE, promotor de Justiça Fabiano Pessoa.
PROTEÇÃO DAS MULHERES - Na quarta-feira (21), durante a reunião dos Procuradores-Gerais, liderada pelo presidente do CNPG, Pedro Maia, foi assinado Acordo de Cooperação Técnica entre o colegiado e o Banco do Brasil (BB), para o desenvolvimento de ações conjuntas destinadas à prevenção, acolhimento das vítimas e apoio à repressão da violência de gênero contra as mulheres.
Antes, promotoras de Justiça que integram a Comissão Permanente de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Copevid) do conselho, entre elas a promotora Maísa Oliveira, do MPPE, visitaram o Centro Integrado Mulher Segura do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A estrutura, de coordenação estratégica, monitoramento e integração institucional, conecta informações, instituições e capacidades governamentais para ampliar ações de proteção às mulheres em todo o país.
Núcleo Dhana realizará evento alusivo ao Dia Mundial da Alimentação
22/10/2026 - O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio do Núcleo de Direito Humano à Alimentação e Nutrição Adequadas Josué de Castro (DHANA), realizará evento híbrido alusivo ao Dia Mundial da Alimentação, no dia 27 de outubro, das 8h30 às 17h30, no Auditório do 5° andar da rua do Sol, nº 143, Santo Antônio, Recife. Os interessados também poderão participar da atividade na modalidade virtual, via Google Meet, pelo link https://meet.google.com/amk-hueq-qjy.
O principal objetivo da iniciativa será o diálogo e a reflexão sobre os desafios da garantia do direito à alimentação e a nutrição adequadas, com palestras, painel com representantes de instituições e organizações atuantes na promoção da segurança alimentar em Pernambuco.
Pela manhã, a programação contará com as palestras “Aspectos da geopolítica e desafios do Direito Humano à Alimentação” e “Política Estadual de Segurança Alimentar: Conquistas e Desafios”, ministradas pela Promotora de Justiça aposentada do MPRS, Miriam Villamil Balestro e pelo Secretário Executivo de Combate à Fome (Secof), Felipe Gabriel Gomes de Medeiros.
À tarde, ocorrerá o painel “Reinventando horizontes: pluralidade e autocrítica institucional”, com representantes da Aliança pela alimentação saudável, FIAN, FETAPE, UFRPE, UFPE, Fórum Estadual de Segurança Alimentar, Consea e Núcleo Dhana Josué de Castro. Ao final, será feita a leitura da “Carta de Pernambuco pelo Direito Humano à Alimentação e Nutrição Adequadas”.
MPPE recomenda mais qualificação dos professores sobre cultura de paz e prevenção do bullying dentro das escolas
22/10/2026 - Diante de registros de diversos casos de violência no âmbito das escolas municipais e estaduais, principalmente com crianças e adolescentes neurodivergentes, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania local, recomendou que a Secretaria de Educação do Cabo de Santo Agostinho e as Escolas Estaduais em funcionamento no município promovam a qualificação dos professores regentes e demais profissionais na propagação da cultura de paz nas instituições de ensino.
A recomendação também visa a capacitação dos profissionais para a melhor compreensão da realidade das famílias cuidadoras de crianças e adolescentes neurodivergentes. A Secretaria deverá fiscalizar o corpo técnico contratado e compor uma equipe específica para assegurar uma atenção aproximada e maior controle de comunicados das violações ocorridas dentro do ambiente escolar, garantindo também uma equipe multiprofissional de assistentes sociais e psicólogos no quadro de servidores.
O MPPE também recomendou que a Secretaria estabeleça o fluxo de atendimento prioritário para intervenção pedagógica e acompanhamento das crianças e adolescentes por uma equipe multiprofissional, assim como para que gestores comuniquem os casos aos órgãos do Sistema de Justiça.
Por fim, a Promotoria de Justiça do Cabo de Santo Agostinho também recomendou à gestão municipal orientar os gestores para informar os casos de bullying e cyberbullying ao Conselho Tutelar caso sejam exauridas as maneiras de intervenção pedagógica. Os conselheiros, por sua vez, deverão adotar as medidas necessárias e comunicar os fatos às autoridades competentes.
Por fim, a última recomendação para o poder público foi de implementar um programa escolar para conscientização, prevenção e combate a todo tipo de violência e a realizar palestras semestrais com os alunos para abordar as temáticas da violência escolar.
SAIBA MAIS - De acordo com a Lei n° 14.811, bullying é o ato de intimidar sistematicamente, individualmente ou em grupo, mediante violência física ou psicológica, uma ou mais pessoas, de modo repetitivo e intencional. Cyberbullying é todo esse processo dentro do ambiente virtual.
Para mais informações, a recomendação expedida pela Promotora de Justiça Manoela Poliana Eleutério de Souza, está disponível no Diário Oficial Eletrônico do MPPE do dia 16 de outubro de 2026.

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